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quinta-feira, 8 de março de 2012

UFSC e UDESC convidam comunidade a vestir roxo no Dia da Mulher er

O Instituto de Estudos de Gênero (IEG), o Núcleo de Identidades de Gênero e Subjetividades (NIGS), o Núcleo de Antropologia Audiovisual (Navi) e o Laboratório de Estudos de Família e Gênero (Labgef) convidam estudantes, professores e servidores da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) e da Universidade do Estado de Santa Catarina (Udesc) a participarem de um manifesto visual coletivo em comemoração ao Dia Internacional da Mulher – 8 de março. A ideia é vestir roxo ou lilás para marcar este dia de luta pela igualdade de mulheres e homens.
Na UFSC, durante toda a quinta-feira, o hall do Centro Filosofia e Ciências Humanas (CFH) estará decorado com balões e faixas roxas. Também haverá apresentação musical com repertório temático relativo a questões de gênero durante o intervalo das aulas e exposição fotográfica na Galeria da Ponte. A mostra “100 Anos de Torcida: a presença feminina nas arquibancadas de futebol em Florianópolis, ontem e hoje” ficará exposta até 24 de março de 2012. Na Udesc, as atividades ocorrerão na Faed, com a organização do Labgef.
As comemorações, palestras, atividades e manifestações realizadas no dia 8 de março estão vinculadas às reivindicações feministas pelo direito a autonomia e prazer, por melhores condições de trabalho, por uma sociedade mais justa e igualitária para todas e todos. Nosso manifesto neste ano segue a proposta de transformar o mundo pela estética e visa fomentar a discussão e a conscientização de que as políticas públicas são necessárias para a redução da desigualdade, da discriminação, da violência, da violação dos direitos humanos das mulheres e no respeito a seus direitos sexuais e reprodutivos.
Além deste manifesto visual, IEG e NIGS UFSC festejam o 8 de março com uma atividade em parceria com o Bazar Coisas de Mãe no sábado, 10 de março, no Sesc Cacupé, convidando a todos para assistirem e debaterem peça teatral “Retrato de Augustine” no auditório do Sesc Prainha no domingo, 11 de março, com a presença da diretora Brigida de Miranda e elenco.
O NIGS também inicia o ano acadêmico com o lançamento do IV Concurso de Cartazes sobre Transfobia, Lesbofobia e Homofobia nas escolas, buscando problematizar as representações de gênero e sexualidade com jovens de Santa Catarina, atividade integrante do projeto de extensão Papo Sério, que há vários anos vem atuando em escolas públicas da Grande Florianópolis.

Mais informações com Izabela (47) 8814-9347 e http://nigs.paginas.ufsc.br/.

segunda-feira, 23 de janeiro de 2012

Após cinco anos de segredo, casal inglês decide revelar sexo do filho

Um casal do leste da Inglaterra finalmente decidiu revelar o sexo do filho, após esconder o segredo por cinco anos. A criança, antes apresentada como sendo do "gênero neutro", segundo os pais, Beck Laxton, 46, e Kieran Cooper, 44, é um menino, que tem o nome de Sasha.
Os paiseriam deixar que a personalidade de Sasha se foasse alheia aos estereótipos da sociedade, por isso decidiram não dizer se era um menino ou uma menina. Se referiam ao filho como "a criança" e só deixavam que brincasse com brinquedos de gênero "neutro". A casa em que moram também não tinha televisão.
Nos últimos cinco anos, ora a criança se vestia como um menino, ora como menina, deixando parentes e amigos do casal sem saber qual era o sexo de Sasha. A situaçaõ mudou quando o menino começou a frequentar a escola e ficou mais difícil esconder o segredo.
A mãe de Sasha justificou a decisão de manter o segredo por tanto tempo dizendo que "estereótipos parecem algo fundamentalmente estúpido". Para ela, o gênero influencia a roupa que as crianças usam e com o que podem brincar, ou seja, "molda o tipo de pessoa que elas se tornam.
"Eu só quero que ele preencha todo seu potencial, e eu não o pressionaria em nenhuma direção. Contanto que ele tenha bons relacionamentos e bons amigos, nada mais importa", conclui a mãe.

(Com informações do Daily Mail)
http://noticias.uol.com.br/

segunda-feira, 13 de junho de 2011

Florianópolis terá Marcha das Vagabundas no próximo sábado Evento contra o machismo já ocorreu em vários lugares do mundo

A exemplo do que já ocorreu em vários países e em outros estados brasileiros, Santa Catarina terá sua primeira Marcha das Vagabundas. O evento contra o machismo e a violência será no próximo sábado em Florianópolis.



As Marchas das Vagabundas começaram depois de um policial no Canadá afirmar que as mulheres deveriam evitar se vestir como putas para não serem vítimas de estupros. Mulheres de todo o mundo se revoltaram e começaram a se mobilizar para reverter a cultura de que a culpa nos casos de assédio sexual é das vítimas.



Em Florianópolis, a concentração para a marcha será às 13h de sábado em frente a Praça XV de Novembro, no Centro. O evento, que está sendo divulgado no Facebook, é uma forma de apoiar as canadenses e chamar a atenção para o fato de que no Brasil posturas como essa também existem.



Na rede social a discussão sobre o tema já começou. Muitos são favoráveis ao fato de que mulheres não podem ser julgadas pelo que vestem, mas há quem seja contra o movimento.



Clique aqui e confira como foi o protesto no México:
 http://www.youtube.com/watch?v=s7M0ymh8Zl8

sábado, 14 de maio de 2011

O bê-á-bá para conviver com a diversidade sexual


 MEC cria kit anti-homofobia para combater o preconceito na escola. Por Tory Oliveira. Foto: Eduardo Knapp/Folhapress

MEC cria kit anti-homofobia para combater o preconceito na escola

Depois de discutir com uma colega na aula de Educação Física, Alecks- Batista foi abordado dentro dos muros do colégio particular onde estudava pelo pai da menina. “Ele me chamou de bichinha, viado e aidético”, lembra, que na época tinha 16 anos. A diretoria do colégio de classe média alta de Curitiba, no Paraná, não se manifestou sobre a agressão. “E eu me vi ali sozinho.” Hoje com 20 anos, estudante de Ciências Contábeis e gay assumido, Alecks ainda se lembra da sensação de isolamento, das piadinhas e da discriminação praticada pela maioria dos professores e alunos durante o Ensino Médio. Na sua época de escola, Alecks não era convidado para festas ou para jogos de futebol – na maior parte do tempo, circulava acompanhado apenas de amigas mulheres ou com dois outros colegas, também gays.
A situação vivenciada por Alecks não é exceção – investigações realizadas pela Unesco e também pelas ONGs Reprolatina e Pathfinder demonstram que há forte presença da homo-lesbo-transfobia (discriminação contra gays, lésbicas, transexuais e travestis) dentro das escolas brasileiras. Publicada em 2004, a pesquisa da Unesco revelou, por exemplo, que um quarto dos estudantes entrevistados não gostaria de ter um colega homossexual na mesma sala. De acordo com a pesquisa qualitativa realizada pela Reprolatina em 2009 em 11 capitais brasileiras, evasão escolar, tristeza, depressão e até casos de suicídio são observados entre a população LGBT (lésbicas, gays, bissexuais e transgêneros) como consequência de um ambiente escolar homofóbico. “O ambiente escolar é em geral hostil para o exercício da diversidade sexual. Os professores não estão preparados e não têm compreensão maior da sexualidade e da homossexualidade”, explica a pesquisadora responsável pelo estudo, Margarita Díaz.
Diante do quadro, o Ministério da Educação, em parceria com entidades ligadas aos direitos LGBTs, produziu um kit de material educativo que será distribuído oficialmente para os professores de 6 mil escolas públicas a partir do segundo semestre deste ano. O projeto – batizado informalmente de “kit anti-homofobia” – é uma das ações do programa federal Escola sem Homofobia. Polêmico, o assunto já vem causando celeuma, principalmente na internet, onde grupos se manifestam acaloradamente a favor e (principalmente) contra o material, chamado de “kit gay” pelos seus opositores.
O kit
Destinado ao Ensino Médio, o kit é composto de caderno, pôster, carta ao gestor da escola, seis boletins (boleshs) e cinco vídeos. “É um material para a promoção dos direitos humanos, com o objetivo de fazer da escola um espaço de todas as pessoas, onde se possa aprender a conviver com a diversidade”, justifica Maria Helena Franco, uma das coordenadoras de criação do kit de material educativo. Considerado peça-chave do kit, o caderno é um livro de 165 páginas, no qual o educador encontra referências teóricas, conceitos e sugestões de atividades e oficinas para se trabalhar o tema da diversidade sexual nas escolas. “O caderno ensina como fazer um projeto político-pedagógico a ser assumido pela escola como um todo sobre esse enfrentamento da violência homofóbica”, conta Maria Helena. Escritos em linguagem jovem e acessível, os boletins seriam distribuídos entre os estudantes e também tratam da temática da diversidade sexual, com jogos, depoimentos e sugestões de filmes.
Entretanto, o objeto de maior polêmica é a parte audiovisual do kit, que inclui três pequenos vídeos produzidos especialmente pela ONG Ecos, que trabalha com o tema desde 1989. Produzidos com diferentes estéticas – teledramaturgia tradicional, animação de fotos e desenhos – os vídeos abordam de forma coloquial temas específicos como lesbianidade, transexualidade e bissexualidade. “São temas muito estigmatizados e pouco compreendidos”, explica Vera Lúcia Simonetti Racy, uma das coordenadoras da criação do kit do material educativo.
Criado por uma equipe multidisciplinar, o kit completo levou cerca de dois anos para ser pesquisado, construído e validado. Apenas o roteiro de um dos filmes, sobre o namoro de duas meninas, demorou oito meses para ser aprovado.
Ousada e polêmica, a proposta do material educativo atende a uma demanda das entidades que lutam pelos direitos LGBTs e também dos educadores – que não encontravam subsídios para trabalhar o tema em aula – além de estar articulada com políticas públicas de combate à homofobia de maneira geral. “O que a gente quer é que o professor esteja atento a essa situação de homofobia. A escola precisa ser um espaço de respeito e de formação cidadã.”, conclui Carlos Laudari, presidente da ONG Pathfinder.
Preconceito velado
Realizada em Manaus, Porto Velho, Recife, Natal, Goiânia, Cuiabá, São Paulo, Belo Horizonte, Rio de Janeiro, Porto Alegre e Curitiba, a pesquisa da Reprolatina procurou investigar qual era o conhecimento e a atitude prática de educadores e alunos a respeito da homofobia nas escolas. Foram entrevistadas 1,4 mil pessoas, desde secretários da Educação até pessoas que fazem parte do cotidiano da escola, como merendeiras e porteiros, passando por diretores, coordenadores, professores e estudantes.
Foi detectado um ambiente altamente homofóbico – resultado semelhante em todas as cidades – uma realidade, porém, em geral negada pela comunidade escolar. Segundo Margarita Díaz, quando perguntados sobre a existência de homofobia na escola, a resposta dos participantes da pesquisa era quase sempre negativa. Entretanto, quando se começava a discutir sobre o que acontecia quando havia a presença de um menino gay ou uma menina lésbica na escola, os relatos mostravam muitas piadas e atitudes potencialmente ofensivas. Tais reações não eram catalogadas como homofobia. “Elas são enxergadas como brincadeiras. Na verdade, essa ‘brincadeira’ é, sim, uma reação homofóbica, mas ela está muito naturalizada”, explica Margarita.
A ausência de aulas sobre educação sexual que contemplem a diversidade também é apontada como um dos fatores que contribuem para a permanência da homofobia nas escolas. Segundo especialistas, a educação sexual disponível para a maioria dos estudantes é essencialmente heteronormativa, ou seja, reproduz um modelo que coloca a heterossexualidade como norma, o que acaba classificando outras manifestações de gênero, amor e sexualidade como desvios. “É uma educação sexual baseada no senso comum da sociedade, e não uma educação sexual antenada com as políticas públicas”, conta Margarita Díaz. Outro ponto percebido durante a pesquisa era o desconhecimento pelos educadores da existência de políticas públicas voltadas ao combate da homofobia.
Evasão escolar
Além de casos de violência física, uma forma quase invísivel de violência nas escolas – que inclui o isolamento, rejeição, brincadeirinhas e piadas – também costuma marcar os jovens homossexuais para a vida toda. “Especialmente na adolescência, a gente quer se enturmar. Quando você é rejeitado pelos seus pares, é um sofrimento horrível”, conta a terapeuta especializada em diversidade sexual e questões de gênero, Edith Modesto, que também é fundadora do Grupo de Pais de Homossexuais (GPH) e do Projeto Purpurina, que atende jovens de 14 a 24 anos. “Eles falam da escola com muita mágoa, lembram da discriminação, do desprezo e da rejeição.”
O quadro é ainda mais grave quando se analisa a situação de estudantes transexuais e travestis. Segundo especialistas, não há espaço para eles na escola. Além de o preconceito ser maior, questões como o uso do nome social na chamada ou até mesmo situações prosaicas como qual banheiro o jovem travesti deve usar pesam e acabam contribuindo para o abandono da escola. “Existe uma porcentagem dos nossos jovens que está sendo socialmente discriminada e forçada a assumir um papel sexual que não é dela”, lamenta Carlos Laudari. “A gente pretende que a escola seja uma escola cidadã, em que o aluno brasileiro aprenda a viver com a diferença.”
“Outro aspecto importante da necessidade de esse tema estar na escola é que certos jovens acabam saindo, porque o sofrimento é tão grande e o ambiente é tão agressivo que a criança ou o adolescente acaba desistindo de estudar. Os índices de evasão escolar são significativos para essa população”, explica Vera Lúcia. Segundo ela, o papel mais importante do kit anti-homofobia é informar e contribuir para erradicar a violência e o preconceito. “Na medida em que você trabalha esse tema na escola e consegue criar uma convivência melhor e mais respeitosa, isso acaba se refletindo nas relações sociais como um todo.”

Tory Oliveira

Revista Carta na Escola

sábado, 19 de junho de 2010

HQ sobre Aids, gravidez e homossexualidade será distribuído em escolas públicas

Ilustradas por desenhistas da Marvel, as HQs serão distribuídas em escolas públicas 
Uso de camisinha, preconceito contra homossexuais, uso de álcool e drogas e prevenção da gravidez são temas de uma série de HQs ilustradas por desenhistas da Marvel que serão distribuídas em escolas públicas que fazem parte do programa Saúde e Prevenção nas Escolas (SPE).
O lançamento ocorreu nesta terça-feira (15), com a presença do ministro da Saúde José Gomes Temporão e o representante da Unesco no Brasil, Vincent Defourny.
Desenhistas renomados como o brasileiro Eddy Barrows, atual desenhista do Superman (DC Comics), ilustraram as revistinhas. Eddy já emprestou os traços para Lanterna Verde e Spawn. Ilustrações de Júlia Bax, Edh Muller e Yure Garfunkel também podem ser vistas nas HQs.
Um guia para utilização em sala de aula pelo professor e um CD-ROM complementar – com jogos, perfil dos ilustradores, wallpapers e idéias de aplicação do material em sala de aula – vão auxiliar nos debates.
Criado em 2003, o SPE é uma iniciativa dos ministérios da Saúde e da Educação, com a parceria da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco), do Fundo de População das Nações Unidas (Unfpa) e do Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef).
O programa tem como objetivo desenvolver estratégias para redução das vulnerabilidades de adolescentes e jovens por meio de atividades de prevenção das doenças sexualmente transmissíveis (DST) e da infecção pelo HIV. O programa envolve a participação de adolescentes e jovens (de 13 a 24 anos), professores, diretores de escolas, pais de alunos e gestores municipais e estaduais de saúde e educação.
Atualmente, o SPE tem grupos de trabalho integrados entre saúde e educação em aproximadamente 600 municípios.

Fonte: Uol Ciência e Saúde








sexta-feira, 30 de abril de 2010

Estudo sobre trabalho doméstico recebe menção honrosa no Prêmio Construindo a Igualdade de Gênero

Nas últimas décadas ocorreram profundas mudanças em relação às mulheres. Elas conquistaram direitos, liberdade sexual e continuam a buscar cada vez mais espaço no mercado de trabalho. O novo cenário gerou impacto na estrutura social em diversas áreas, mas uma questão parece ter parado no tempo: a ocupação doméstica. Este foi o tema do artigo ´Por que o trabalho doméstico não é considerado trabalho?`, de Soraia Carolina de Mello, pesquisadora do Laboratório de Estudos de Gênero e História (LEGH), ligado ao Centro de Filosofia e Ciências Humanas da UFSC. O objeto de estudo – o feminismo da chamada segunda onda feminista, mais especificamente do Cone Sul – é analisado através de quatro revistas: as argentinas Brujas (a partir de 1983) e Persona (a partir de 1974), e as brasileiras Brasil Mulher (1975-85) e Nós Mulheres (1976-78). Soraia afirma que é difícil avaliar porque o trabalho doméstico não evoluiu, mesmo sendo discutido desde a década de 70.

“Ao mesmo tempo em que podemos acompanhar grandes mudanças no que se refere aos comportamentos tradicionais, podemos ver também, com o passar dos anos, como alguns comportamentos se mantêm, ou se reinventam. O trabalho doméstico é provavelmente um dos campos onde as desigualdades de gênero são mais marcadas, e talvez por isso as dificuldades em modificar a situação”, acredita.

O artigo também trata da falta de valor dessa atividade. A revista Persona afirma que essa desvalorização é decorrente do fato de não resultar em algo que se venda ou se compre, que gere dinheiro. “Na década de 1970 havia uma tendência geral em tentar compreender as sociedades a partir de preceitos econômicos, e essa tendência, aliada a teorias marxistas que circulavam entre os grupos feministas, nos ajuda a entender a tentativa de se explicar a submissão do trabalho doméstico e das mulheres como uma subordinação econômica”, afirma Soraia.

A autora também discute o comportamento “natural”, a aptidão “nata” das mulheres para exercerem cargos domésticos. “A ocupação doméstica não é vista como trabalho, por mais cansativa e por mais tempo que tome, porque sua jornada não tem fim. Mesmo feministas engajadas na luta pela igualdade acabam assumindo para si as obrigações domésticas”, lembra a pesquisadora. Soraia acredita que esta “lógica do dom” é uma construção sócio-cultural. “O esforço dos feminismos que observo em minha pesquisa é exatamente apresentar essa construção para desnaturalizar as funções domésticas femininas, buscando a divisão de trabalho nos lares e sua valorização”.

A autora acredita que o trabalho doméstico terá seu valor reconhecido, mas para isso acontecer são necessárias transformações sociais e culturais na imagem tradicional do que é ser mulher, nas relações de gênero, nos costumes nos lares. É também preciso políticas públicas de apoio à socialização do trabalho doméstico e uma legislação que realmente possibilite iguais oportunidades a homens e mulheres.

O artigo premiado é resultado de sua pesquisa de mestrado no Programa de Pós Graduação em História e recebeu menção honrosa na 5ª edição do Prêmio Construindo a Igualdade de Gênero. O concurso nacional promovido pelo CNPq em parceria com a Secretaria Especial de Políticas para as Mulheres premia redações e artigos científicos que abordam as temáticas de relações de gênero, mulheres e feminismo.

“É sempre importante ter seu trabalho reconhecido, ainda mais quando ele traz questões políticas que você considera relevantes. Também acho importante pelo fato de dar visibilidade ao grupo de pesquisa do qual faço parte, o qual realiza um trabalho realmente grande e cuidadoso”, comemora Soraia.

Mais informações pelo e-mail ufsc.legh@gmail.com / 3721-9606

Por Fernanda Burigo / Bolsista de Jornalismo na Agecom 

Fonte: http://www.ufsc.br/

quinta-feira, 1 de abril de 2010

Conae: Livros didáticos e escolas terão de incluir temática LGBT

Simone Harnik
Em Brasília
Os temas sobre orientação sexual e homossexualidade terão de aparecer nos livros didáticos e nas salas de aula. Pelo menos, foi essa a decisão da Conae (Conferência Nacional de Educação), que acontece em Brasília até amanhã (1º).

Segundo o presidente da ABGLT (Associação Brasileira de Gays, Lésbicas, Bissexuais, Travestis e Transexuais), Toni Reis, o movimento LGBT está satisfeito com a conferência. “Saímos vitoriosos. Se o país cumprir o que foi aprovado, a homofobia na escola está com os dias contados”, afirma.
A Conae pretende traçar diretrizes para a educação do país, que podem ser incorporadas no Plano Nacional de Educação. É este plano que define o que será prioridade no ensino brasileiro nos próximos dez anos.

Além da presença nos livros escolares, a temática LGBT deverá ser ensinada nas faculdades e cursos de formação de professores. Além disso, de acordo com Reis, a conferência definiu que o livro didático não poderá ter conteúdos que discriminam homossexuais. “É o fim das piadas sobre gays nos livros”, diz.
Propostas LGBT na conferência

O movimento LGBT levantou três propostas na Conae: o fim da homofobia na escola; que travestis possam usar o nome feminino nas salas de aula; e que a discriminação a homossexuais seja considerada crime no Brasil. “Hoje temos uma preocupação especial com a situação das travestis, que são as que sofrem mais discriminação na escola”, acrescenta.

Segundo Reis, entidades nacionais apoiaram os projetos, entre elas a CUT (Central Única dos Trabalhadores), a CNTE (Confederação Nacional dos Trabalhadores em Educação) e a Fasubra (Federação dos Sindicatos dos Trabalhadores das Universidades Públicas Brasileiras).

Agora a ABGLT pretende utilizar a decisão da Conae como uma referência para pressionar por mudanças. “Queremos avaliar, monitorar, e acompanhar de forma propositiva as políticas públicas”, diz Reis.
Fonte:UOL Educação

terça-feira, 2 de março de 2010

NIGS-UFSC lança II Concurso de Cartazes e Redações sobre Lesbofobia, Transfobia e Homofobia nas escolas

Lançado no último dia 1º o edital do "II Concurso de Cartazes sobre Lesbofobia, Transfobia e Homofobia nas Escolas". O evento é promovido pelo Núcleo de Identidades de Gênero e Subjetividades (NIGS) do Laboratório de Antropologia Social da UFSC e apoiado pelo Núcleo de Educação e Prevenção (NEPRE)/Regional Grande Florianópolis da Secretaria Estadual de Educação. O concurso tem como objetivo discutir as violências contra lésbicas, gays, bissexuais, travestis, transexuais e transgêneros (LGBTT) nas escolas da Grande Florianópolis e está inserido nas atividades do Dia Municipal contra a Homofobia, Lesbofobia e Transfobia -17 de maio, data instituída por lei no município de Florianópolis.

As inscrições para o II Concurso de Cartazes estão abertas até 10 de maio de 2010 e são gratuitas. Há duas categorias de participação. Uma, de cartazes, para estudantes de escolas públicas do ensino médio e fundamental de Santa Catarina e outra, criada nesta 2ª edição do prêmio, de redações, para estudantes de graduação em Pedagogia e/ou de cursos de licenciatura de várias disciplinas e de todas as universidades do estado. Para a primeira, estudantes de ensino médio e fundamental devem formar grupos, coordenados por uma professora, e confeccionar um cartaz que aborde temas relacionados às violências contra LGBTTT. Para a segunda, estudantes de graduação devem enviar uma redação sobre a mesma temática. Estudantes vencedores nas duas modalidades serão premiados com livros sobre gênero e sexualidade. Os prêmios coletivos relativos aos cartazes serão doados às bibliotecas de suas escolas.

O I Concurso de Cartazes aconteceu em maio de 2009 com a participação de 97 alunas de quatro escolas de Florianópolis. O evento faz parte do projeto de extensão Papo Sério (oficinas de gênero e sexualidade), apoiado pela Pró-reitoria de Pesquisa e Extensão da UFSC.

O edital do Concurso e mais informações podem ser obtidas no site http://www.nigs.ufsc.br e/ou http://sites.google.com/site/concursonigs
e as dúvidas esclarecidas através do e-mail nigsnuc@cfh.ufsc.br ou do telefone 3721 98 90 (Ramal 25) no horário comercial.
Fonte: www.ufsc.br

segunda-feira, 15 de fevereiro de 2010

Transexualismo é retirado de lista de doenças mentais na França

O transexualismo não é mais considerado uma doença mental na França, primeiro país no mundo que o retira da lista das patologias psiquiátricas, segundo um decreto publicado no "Diário Dficial" de quarta-feira (10).

Travestis ganham campanha antipreconceito e atendimento especial
Um terço dos gays assume sexualidade antes dos 15 anos, diz pesquisa em SP

O decreto, do Ministério da Saúde suprime a expressão "transtornos precoces de identidade de gênero" de um artigo do código da Previdência Social relativo a "patologias psiquiátricas de longa duração".

Tal classificação era realizada de acordo com a feita pela OMS (Organização Mundial de Saúde).

A ministra da Saúde, Roselyne Bachelot, já havia anunciado no dia 16 de maio de 2009, antes do Dia Mundial da Luta Contra a Homofobia, que o transexualismo não seria mais considerado doença psiquiátrica na França.

Na ocasião, muitas personalidades do mundo político e científico escreveram um artigo, divulgado na imprensa, para pedir à OMS que "não considerasse os transexuais como pessoas afetadas por transtornos mentais".

"A França é o primeiro país no mundo que já não considera o transexualismo como patologia mental", afirmou na sexta-feira (12) à AFP Joël Bedos, responsável francês no Comitê IDAHO (International Day Against Homophobia and Transphobia). "É histórico", acrescentou Philippe Castel, porta-voz da Associação de Gays, Lésbicas, Bissexuais e Transexuais. "Era algo muito importante e muito esperado desde a promessa" de Roselyne Bachelot, acrescentou.

Para explicar sua classificação, a OMS diz que o transexualismo figura na lista de patologias registradas no manual médico DSM (Diagnostic and Statistical Manual of Mental Disorders), feito por médicos americanos. A revisão do manual, em curso, não parece prever a retirada do transexualismo, segundo Joël Bedos.

Os transexuais franceses, apagados da lista que consideravam estigmatizante, continuarão com suporte da Previdência Social, disse Bachelot em setembro último.

O Comitê espera continuar seu combate para que a OMS retire também o transexualismo de sua lista.
fonte: Folha de São Paulo
da France Presse, em Paris

quinta-feira, 19 de novembro de 2009

Uniban expulsa aluna que foi à aula com vestido curto

Folha de São Paulo, Cotidiano, domingo, 08 de novembro de 2009
Para a universidade, houve "desrespeito à dignidade acadêmica e à moralidade"

Geisy Arruda, hostilizada por cerca de 700 alunos e que deixou o campus sob escolta da PM, afirma que vai processar a instituição

DA REPORTAGEM LOCAL

A estudante Geisy Villa Nova Arruda, 20, hostilizada por cerca de 700 colegas ao usar um vestido curto no campus da Uniban em São Bernardo do Campo, onde cursa turismo, foi expulsa ontem pela universidade por "desrespeito à dignidade acadêmica e à moralidade".

Um grupo de seis a oito estudantes (a Uniban não soube dizer ontem o número exato) que participou da manifestação contra ela, no dia 22 de outubro, foi punido com suspensão, por tempo a ser definido.

A Uniban tomou as decisões após uma sindicância concluir que a estudante "provocou" os colegas, "o que resultou numa reação coletiva de defesa do ambiente escolar". Segundo Décio Lencioni Machado, assistente jurídico da instituição, Geisy "tem uma postura incompatível com o ambiente da universidade", pois sempre utiliza roupas curtas e decotes e tinha atitudes "insinuantes".

A estudante afirmou que pretende processar a Uniban. "Como me expulsaram? Que absurdo. Eu fui a vítima, quase fui estuprada, como puderam fazer isso?", disse. A mensalidade do curso, de R$ 310, é paga pelo pai dela, que é supervisor de serviços -Geisy não trabalha.

Segundo Machado, o que levou à decisão não foi o vestido, mas a "postura" dela. "O problema não era a roupa, mas a forma de se portar, de falar, de rebolar." Por isso, diz, ela já havia sido advertida verbalmente por fiscais de disciplina da universidade e pelo coordenador do curso de turismo -ela nega.

No dia do tumulto, de acordo com ele, quando a aluna saiu escoltada pela Polícia Militar do campus, a universitária "subiu com as mãos o vestido que usava, deixando-o mais curto". Além disso, diz, ela entrou na sala de outro curso, quando o professor já dava aulas, porque um estudante queria conhecê-la. "Segurava uma bolsa enorme em uma mão e um fichário na outra, como levantaria o vestido?", questiona Geisy.

Anúncio

A Uniban publica comunicado hoje na Folha sobre a expulsão. A universidade diz que decidiu tornar público o fato porque Geisy também utilizou veículos de comunicação para contar sua versão dos fatos.

A defesa da estudante não quis comentar por não ter sido notificada. Segundo a universidade, após a decisão, ainda de madrugada, um motoboy tentou entregar uma carta a Geisy informando a expulsão, mas ninguém atendeu na casa dela.

Geisy afirma que só às 16h um motoboy foi a sua casa, mas ela se recusou a receber o documento e pediu que ele fosse entregue a seus advogados. Ela afirmou que, caso eles não recebam a notificação, voltará às aulas na segunda-feira.

Especialistas ouvidos pela Folha criticaram a medida. A mãe da estudante, que pediu para ser identificada apenas por Maria, considerou a decisão absurda. "É o jeito dela de se vestir, desde pequena foi assim. Ela não é a única", disse. (TALITA BEDINELLI, ALENCAR IZIDORO, LUISA ALCANTARA E SILVA, ESTÊVÃO BERTONI E CATHARINA NAKASHIMA)

ANÁLISE

Culpar a vítima: essa foi a estratégia

HÉLIO SCHWARTSMAN, DA EQUIPE DE ARTICULISTAS

Culpe a vítima. Essa foi a estratégia utilizada pela Uniban para, vá lá, "reduzir os danos" provocados pelo "affaire" Geisy. Acho que não chamaram ninguém do Departamento de Marketing para a reunião que definiu a expulsão. Nem da Pedagogia, nem o professor de Ética (se é que têm um).

Chamaram apenas alguém do Jurídico, o qual concluiu que a agora ex-aluna violou o artigo 215 e seguintes do Regimento Interno da universidade, ao usar "trajes inadequados" e fazer "percursos maiores que o habitual".

Não é preciso pós-graduação em astrologia para perceber que o impacto da decisão não é dos mais auspiciosos para a universidade.

Conseguiram transformar o que já era um pesadelo de relações públicas naquilo que o pessoal das Letras Clássicas chamaria de "defaecatio maxima" -e que o pudor que faltou aos dirigentes da instituição me impede de traduzir.

A provável ação indenizatória que Geisy moverá contra a escola acaba de ter seu valor majorado. A Uniban também deve ter perdido potenciais candidatos a estudante. Eu, pelo menos, pensaria várias vezes antes de matricular meus filhos numa faculdade que busca proteger um bando de arruaceiros atacando o elo mais fraco.

A estratégia de culpar a vítima é bem conhecida. Se uma garota foi estuprada, ela é pelo menos parcialmente responsável por seu destino: de alguma forma, provocou o estuprador, seja por utilizar roupas insinuantes, seja por meio de atitudes libidinosas. Afinal, nada acontece "de graça".

A psicologia explica tal atitude como um autoengano que visa a nos manter em posição de controle: se eu não me comportar "mal" como a "vítima", não estou sujeito ao mesmo risco. Tal operação mental nos permite persistir na crença de que o mundo é um lugar justo. Não é, como a Uniban acaba de demonstrar exemplarmente.

Expulsão atesta incompetência, diz entidade

Para coordenadora de comitê de defesa da mulher, universidade, que deveria promover discussões, teve atitude autoritária

Educadores, advogados e outras entidades ouvidas pela Folha também fazem críticas à decisão da Uniban; ONG diz que fará protesto

DA REPORTAGEM LOCAL

"Ao expulsar essa menina, a universidade assina seu atestado de incompetência", afirma Samantha Buglione, coordenadora do Cladem (Comitê Latino-Americano e do Caribe para a Defesa dos Direitos da Mulher) no Brasil. "O espaço que deveria promover a discussão está tendo atitudes simplificadas e autoritárias", diz ela. "Para a universidade ser intolerante em questões de moralidade neste nível é porque ela está completamente desvirtuada do que deveria ser", afirmou.

As opiniões de Buglione refletem um pouco a contrariedade de boa parte dos educadores, advogados e entidades de defesa das mulheres ouvidos pela Folha sobre a punição da Uniban à jovem que foi hostilizada ao usar um vestido curto.

Para Buglione, a função da Uniban era promover um debate, e não mandar a estudante embora. "Esse caso é uma excelente metáfora para mostrar como a universidade não está mais sendo universidade", afirma ela, que também é professora de direito da Univali (Universidade do Vale do Itajaí).

"Como é uma instituição que se propõe a fazer um trabalho educativo, a expulsão deveria ser a última medida", avalia Sabrina Moehlecke, doutora em educação pela USP e professora da UFRJ (Universidade Federal do Rio de Janeiro).

Ressalvando falar em tese, por não ter acompanhado detalhes do caso, ela acrescenta: "Mesmo que as pessoas venham com hábitos, formas de agir e de se vestir inadequados, a instituição tem a função de criar formas de lidar com isso".

O promotor de Justiça Roberto Livianu, do Movimento do Ministério Público Democrático, afirma que a decisão é um "exagero", "foge à razoabilidade" e lembra "posturas fundamentalistas islâmicas".

O professor de direito constitucional João Antonio Wiegerinck avalia que a expulsão só ocorreu devido à repercussão do tema na mídia, e não pelo comportamento da aluna. Ele afirma que a roupa da jovem era inadequada ao ambiente de estudo. "Faltou bom senso à estudante. Mas dou aula há mais de oito anos. Há roupas piores."

Segundo Wiegerinck, é praxe nas instituições de ensino regulamentos para punir alunos por comportamentos do tipo. Mas ele ressalta a necessidade de uma gradação para os casos de reincidência -como advertência e suspensão, sempre por atos formais, e não verbais.

Ato público

Para Sônia Coelho, militante da SOF (Sempreviva Organização Feminista), a expulsão da estudante é um retrocesso e mostra a falta de compromisso da instituição com a educação.

"É preciso trabalhar prevenindo a violência. O contrário do que a universidade está fazendo. A aluna deveria ser acolhida, e os alunos, educados."

A SOF afirma ter buscado contato com a universidade para propor um ciclo de debates sobre a violência contra a mulher. Sem sucesso, decidiu fazer um ato público no dia 18 na frente da Uniban -que, com a expulsão, pode ser antecipado.

A decisão da universidade, ao ver a reação contra a jovem como defesa do ambiente escolar, diz Sônia Coelho, põe em risco todas as mulheres. "Qualquer uma que se vista com um short ou vestido pode ser abordada de forma pior. Daqui a pouco as mulheres serão apedrejadas."

A fundadora da União de Mulheres de São Paulo, Maria Amélia de Almeida Teles, diz que a atitude da Uniban mostra que ainda existe discriminação e reforça a existência do preconceito: "É difícil acreditar que em pleno século 21 a mulher não tenha direito a dispor de seu próprio corpo e a se vestir da maneira que desejar".

Jeito de estudante se portar levou à expulsão, diz Uniban

DA REPORTAGEM LOCAL

O assessor jurídico da Uniban, Décio Lencioni Machado, afirma que a falta de uma postura ética de Geisy Arruda causou sua expulsão. Leia a seguir os principais trechos da entrevista concedida por ele à Folha.

***

FOLHA - Por que a decisão?

DÉCIO LENCIONI MACHADO - Por meio dos depoimentos dos alunos, professores, funcionários e mesmo dela, constatou-se que a postura dela não era adequada há algum tempo. O foco não é o vestido. Tem menina que usa roupas até mais curtas. O foco é a postura, os gestos, o jeito de ela se portar. Ela tinha atitudes insinuantes.

FOLHA - Como assim?

MACHADO - Ela extrapolava, rebolando na rampa, usando roupas que os colegas pudessem verificar suas partes íntimas. Isso tudo foi dito em vários depoimentos e culminou no que ocorreu no dia 22 de outubro. Foi o estopim de uma postura recorrente da aluna.

FOLHA - Por que o anúncio? Não acham que estão expondo a aluna?

MACHADO - A exposição dela vem ocorrendo desde a semana seguinte a 22 de outubro. Ela se utilizou de todos os veículos de comunicação para divulgar [o que aconteceu] e vem declarando que, inclusive, tem interesse em ser atriz. Estamos querendo usar os mesmos veículos, não para expô-la, porque exposta ela já está, mas porque tenho compromisso com 60 mil alunos. Recebemos 4.000 e-mails de alunos, pais, pessoas da comunidade, se queixando da exposição da instituição, em especial do curso de turismo, porque as meninas estavam sendo chamadas de "putas".

quarta-feira, 18 de novembro de 2009

Isso é coisa de homem

“O que é ser homem?” A pergunta tem sido ponto de partida do trabalho feito com jovens de ambos os sexos pelo Programa H, criado há dez anos pelo Instituto Promundo (Rio de Janeiro), em parceria com o Ecos – Comunicação em sexualidade (São Paulo), o Instituto Papai (Recife) e a organização mexicana Salud y Gênero. Dela surgem respostas que mostram como os modelos tradicionais de masculinidade são referências fortes para ambos os sexos. Segundo a codiretora executiva do Instituto Promundo, Christine Ricardo, independentemente das características do grupo (idade, condição social, sexo, cultura, região etc), as expressões associadas à masculinidade se repetem: força, autoridade, proteção, ser provedor, gostar de mulher, responsabilidade, entre outras.
“O tema da violência chama bastante atenção nessas discussões. Ainda existe uma forte crença de que os atos agressivos cometidos pelos homens fazem parte da natureza masculina, ou seja, são de origem biológica, o que não é verdade. Isso resulta do processo de socialização, da forma como criamos meninos e meninas. Não por acaso a maioria dos agressores é homem e eles também são as maiores vítimas da violência”, afirma.
Oficinas educativas
Para incentivar os homens jovens a refletirem criticamente sobre esses rígidos padrões de masculinidade e promover a igualdade de direitos entre os sexos, o Programa H desenvolve atividades, como oficinas educativas, campanhas comunitárias e diversos materiais que complementam os debates, entre os quais, vídeos e cartilhas.
Uma das preocupações do projeto é avaliar os seus impactos. Entre 2004 e 2006 foi feita uma pesquisa com 780 jovens homens, de 14 a 25 anos, que tinham participado das oficinas. Por meio de questionários e entrevistas, verificou-se que importantes mudanças haviam ocorrido nas atitudes dos rapazes em relação às questões de gênero e violência, nas relações íntimas, nos espaços da casa e no uso da camisinha.
O depoimento de um desses jovens sobre os direitos sexuais de homens e mulheres é um bom exemplo da transformação que o projeto proporciona: “[Se] um cara sai com uma mulher hoje, com outra amanhã, ele é chamado de 'mulherengo' ou 'garanhão'. Com as meninas não é assim. Elas são criticadas se fizerem isso, são chamadas de 'galinhas' e outras coisas. Mas eu mudei de opinião [depois das oficinas]. Se estiver namorando uma menina que já teve outros parceiros sexuais antes de mim, vou entender”.
Mobilizando a comunidade
Segundo Christine Ricardo, a pesquisa também serviu para mostrar que o projeto precisava atuar com as famílias. “Não adianta estimularmos a participação do menino nas tarefas domésticas se a mãe, a irmã ou mesmo o pai não deixa que ele faça. Outro desdobramento importante foi a criação do Programa M, que promove o empoderamento [a consciência do poder de influência nas relações sociais] e a saúde das mulheres jovens de 15 e 24 anos . Para isso, estimula as reflexões críticas a respeito do seu processo de socialização”.
Acostumados a promoverem as oficinas educativas do Programa H, Andreza Jorge e Rogério da Silva Brunelli, coordenadores do Projeto Onda Jovem na comunidade da Maré, no Rio de Janeiro, contam que para a maioria dos participantes, discutir as questões de gênero é algo totalmente novo. “A partir da nossa conversa, eles começam a perceber várias situações. Mas o conceito da masculinidade ainda está muito estereotipado, embora a gente já note que isso vem mudando. Nessa nova geração que tem acesso a ambientes de discussão e até mesmo a internet, os jovens estão começando a questionar mais esses modelos”, afirma Andreza.
De acordo com Rogério, o discurso de que cuidar da casa e das crianças é uma função feminina, aparece com frequência nos debates, e quem assume tarefas domésticas costuma sofrer zombarias. “Às vezes, a própria família cria resistência quando ele quer colaborar em casa”.
Fiscais da masculinidade
A influência da sociedade, reforçando esse modelo padrão do que significa ‘ser homem’ é um dos maiores desafios a ser enfrentado. Na avaliação de Andreza e Rogério, se o trabalho de reflexão iniciado na oficina não tiver atividades que deem continuidade, o adolescente poderá ter dificuldades de colocar em prática essa nova percepção da masculinidade. Nesse sentido, uma das estratégias do projeto é a realização de campanhas comunitárias, que são criadas com os próprios jovens para estender os debates aos moradores daquela localidade. São desenvolvidos pôsteres, camisetas, histórias em quadrinho, rádio-novela, cartazes, entre outras peças.
“Costumo dizer que em todo lugar existem os fiscais da masculinidade. São aquelas pessoas que a todo o momento reforçam o padrão, com os comentários: ‘Está chorando? Não é homem, não?’; ‘Vai ficar escrevendo bilhetinho para a namorada? Que coisa boba!‘, ‘Está com medo? Ih, não é homem!’. E isso é na escola, no grupo de amigos e até na família”, destaca Andreza.
As principais consequências desse padrão de masculinidade são o aumento da violência: a falta de cuidado com a saúde, o que deixa o homem mais exposto a doenças, como DSTs e Aids; menos envolvimento paterno; a homofobia (discriminação e preconceito contra os homossexuais); as dificuldades de relacionamento com a parceira; e a violência doméstica.
"Ir contra o modelo tradicional e quebrar preconceitos, mostrando que o homem pode ser cuidadoso, carinhoso, sensível e ter outras características, em geral atribuídas ao universo feminino, são essenciais para a construção de uma sociedade mais justa, que promova a relação saudável entre homens e mulheres.", conclui Christine Ricardo.
(Patricia Moreira)
Publicada em: 14/05/2009
http://www.fiocruz.br/jovem/
Para saber mais:
Instituto Promundo:
http://www.promundo.org.br/
Instituto Papai:
http://www.papai.org.br/
Ecos – Comunicação em sexualidade:
http://www.ecos.org.br/index2.asp

quarta-feira, 11 de novembro de 2009

Prêmio Igualdade de Gênero

Agenda: Igualdade de gênero distribui prêmios para redações
Terça-feira, 10 de novembro de 2009 - 10:42
Estão abertas até 20 de novembro as inscrições para o 5º Prêmio Construindo a Igualdade de Gênero, concurso nacional de redações e artigos científicos sobre relações de gênero, mulheres e feminismos.

Escolas públicas e privadas poderão concorrer com projetos e ações pedagógicas inovadoras nas áreas de gênero, raça, etnia, sexualidade, geração e classe social. Para a nova categoria “Escola Promotora da Igualdade de Gênero” é aportado o valor total de R$ 50 mil. O concurso vai premiar uma escola por região. Especialistas, estudantes de mestrado, mestres e estudantes de doutorado receberão premiações em dinheiro e bolsas de estudo (doutorado, mestrado e iniciação científica). Na categoria estudante de ensino médio, é aportado o maior investimento: bolsas de estudo, computadores e impressoras, que somam cerca de R$ 70 mil. Mais informações podem ser obtidas na página oficial do concurso.

Prêmio para textos reflexivos sobre igualdade de gênero

Estudantes de ensino médio, graduação, mestrado e doutorado, além de graduados, especialistas e mestres, podem concorrer às diversas categorias do prêmio Construindo a Igualdade de Gênero. Concorrem redações e artigos científicos. As inscrições estão abertas até 20 de novembro. O objetivo do concurso é estimular a produção científica e a reflexão crítica sobre as desigualdades entre homens e mulheres no Brasil. Veja a íntegra do regulamento no endereço www.igualdadedegenero.cnpq.br.