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domingo, 10 de julho de 2011

Só em caso de emergência



Conhecida no Brasil desde o final da década de 1990, a pílula do dia seguinte não demorou a se popularizar entre os jovens. Mas o que deveria ser uma saída de emergência para evitar a gravidez indesejada depois de ter relação sexual sem proteção, muitas vezes acaba virando uma rotina. A dosagem hormonal desse medicamento equivale a pelo menos sete pílulas comuns.


Para a ginecologista Albertina Duarte, que coordena o Programa de Saúde do Adolescente da Secretaria de Saúde de São Paulo, o uso repetido da pílula do dia seguinte é prejudicial porque provoca uma descarga hormonal muito grande no corpo da jovem. “Ela deveria servir como um dispositivo de segurança, um extintor de incêndio: o ideal é não precisar, mas é bom saber que está ali”, afirma.

A anticoncepção de emergência – nome técnico do método – é indicada em casos de violência sexual, acidentes com o preservativo (a camisinha “estourou” ou não foi colocada direito), com o deslocamento do DIU ou do diafragma. Ela deve ser tomada logo depois da relação sexual desprotegida, de preferência nas primeiras 12 horas. Ainda faz efeito se tomada até cinco dias após a relação, mas a eficácia diminui. Quanto mais cedo, melhor.

Segunda-feira é o dia

A pílula do dia seguinte não substitui um método regular para evitar gravidez indesejada, nem protege contra doenças sexualmente transmissíveis. Segundo estudo realizado pela secretaria de Saúde do estado de São Paulo, mais de 30% das jovens com vida sexual já recorreram à pílula dia seguinte pelo menos uma vez, e muitas tomam repetidas vezes ou até de forma rotineira.

Albertina Duarte destaca a adesão muito rápida de mulheres de diferentes idades ao método, principalmente se comparada à da pílula convencional, que existe há décadas. “Nas segundas-feiras, uma das perguntas mais frequentes do serviço de ligações que tira dúvidas dos adolescentes é ´Transei sem camisinha no fim de semana. Ainda dá tempo de tomar pílula do dia seguinte?´”, conta.

Apesar de o anticoncepcional de emergência ter se popularizado, ainda existem dúvidas sobre como e quando usá-lo. Um estudo da Universidade Federal de Pernambuco mostrou que, em 2006, 27% das jovens do ensino médio daquele estado, entre 14 a 19 anos, já haviam experimentado o método, mas 78% o fizeram de maneira errada. Algumas meninas tomavam o medicamento antes do ato sexual ou ao notar o atraso da menstruação.

Falha é maior que a da camisinha

Conhecer diferentes métodos anticoncepcionais é importante antes mesmo da primeira transa. Assim, os jovens poderão fazer a escolha conhecendo riscos e benefícios. A pílula do dia seguinte também tem possibilidade de falhas. Segundo o Ministério da Saúde, ela tem eficácia média de 75%. Isto significa que pode evitar três de cada quatro gestações. “A chance de falha, especialmente em caso de uso repetido, é maior do que de qualquer anticoncepcional regular, e maior também do que a da camisinha”, explica a ginecologista.

Na sua opinião, o que atrapalha a prevenção regular contra gravidez é o medo da família, da crítica, do julgamento. “Muitas vezes a jovem conta que a camisinha estourou, mas o que estourou foi o tempo: porque houve pressa ou falta de habilidade para botar.”

Albertina Duarte comanda um programa que resultou na redução de 36% na gravidez indesejada de adolescentes em São Paulo nos últimos dez anos.

Parceria e atitude

A visão da ginecologista sobre o tema tem pontos em comum com o de Soraya Fischer, antropóloga da Universidade de Brasília. Para ambas, é preciso conhecer o contexto social e afetivo que cerca as relações se quisermos entender o que estaria levando a esse "último recurso", e não a uma prevenção regular.

A informação sobre o funcionamento do remédio, e até o mecanismo da própria reprodução como um todo, também pode estar sendo mal interpretada. “Será que todas as jovens sabem mesmo como e em que momento se dá a gravidez?”, pergunta a antropóloga.

Ela destaca que nem sempre os medicamentos são usados pela população como esperam os profissionais de saúde e fabricantes, e a pílula do dia seguinte é um exemplo disso. “As pessoas não são sacos vazios onde a equipe profissional de saúde ou os educadores sexuais simplesmente depositam a informação biomedicamente ´correta`. Qualquer informação que chega até alguém sobre saúde vai dialogar com o que ela já sabe ou acredita sobre aquilo.” No caso da saúde sexual e reprodutiva, Soraya Fischer acha importante entender como estão ocorrendo os relacionamentos afetivos e o nível de confiança que há entre os parceiros.

Segundo ela, é possível que as moças estejam incluindo a pílula do dia seguinte na lógica da prevenção, e não da situação extraordinária. Assim, estariam arcando com os riscos.

Albertina Duarte dá outras pistas: “A jovem fica sozinha nessa decisão sobre prevenção, pela falta de diálogo com o parceiro, sobre o uso da camisinha, por exemplo. Prevenção é uma questão de parceria e de atitude.”

(Elisa Batalha)

Para saber mais:

Entre dúvidas e desejos

Perguntas mais frequentes (BVS Adolec)

Adolescentes de Pernambuco usam pílula de forma errada

Por que há jovens tomando a pílula do dia seguinte antes da relação sexual?



















sexta-feira, 11 de fevereiro de 2011

Anticoncepcionais: não dá para evitar Em algum momento da vida, toda mulher terá de usar um contraceptivo. Conheça os mais indicados para cada fase


No princípio, era a tabelinha. A mulher não dispunha de outro artifício para evitar uma gravidez fora de hora. Por isso, os filhos se enfileiravam formando uma escadinha. No início da década de 1960 veio a redenção: foi inventada a pílula anticoncepcional e a mulher passou a ser dona de seus óvulos. Já havia a camisinha, claro, mas seu uso dependia mais do homem que da mulher. E a utilização desse contraceptivo só se popularizou mesmo na década de 1980 como uma forma de proteção contra as doenças sexualmente transmissíveis, principalmente contra o vírus HIV. Nesses últimos anos, várias pílulas novas surgiram e novos métodos se somaram a ela: DIU, diafragma, adesivos, injeções, etc.
Hoje, o casal bem informado escolhe quantos filhos quer ter e quando, causando uma inversão total no quadro: com os métodos disponíveis, mulheres adiam tanto a maternidade que, quando decidem que finalmente querem um filho, não conseguem engravidar. Na década de 1960, cada mulher tinha cerca de seis filhos e, em 2009, segundo a Fundação Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) a taxa caiu para 1,9. É bom ser dona do destino e definir a hora de ser mãe, mas para não comprometer a saúde, é preciso escolher o método certo. "Deve-se levar em conta a idade da mulher, as doenças associadas e seu modo de vida", diz a ginecologista Rosa Maria Neme, diretora do Centro de Endometriose de São Paulo.
E isso não se faz sozinha. Escolher o contraceptivo por conta própria implica em grande risco. "É preciso saber como fazer a transição de um método para outro, ou pode acontecer uma gravidez indesejada", diz Rosa. Além disso, somente um especialista é capaz de dizer qual é o mais indicado e identificar os efeitos colaterais. Os contraceptivos devem ser considerados medicamentos, e a automedicação nunca é recomendada. Veja a seguir as melhores opções para cada fase da vida.
No dia seguinte: entenda o que faz a pílula
A pílula do dia seguinte ainda causa alguma polêmica porque muitos a consideram abortiva. Mas, na verdade, ela age antes que a gravidez ocorra. Tomada até 72 horas depois da relação sexual, ela provoca uma descamação na parede do útero que impede a fixação de um possível óvulo fecundado. Mas se não for tomada dentro desse período, pode não fazer efeito.
O medicamento só deve ser comprado com receita médica e os efeitos colaterais costumam ser acentuados, como náuseas e dores de cabeça fortes. Por isso, deve ser usada apenas como uma forma de contracepção de emergência. Além disso, sua eficiência pode ser menor do que a pílula convencional, que é de 99%. Se tomada até 24 horas, a chance de engravidar é de 1%, mas sobe para 5% em 72 horas.
Não escolha o anticoncepcional por conta própria. Lembre-se de que ele é um medicamento e a automedicação nunca é recomendada
Na adolescência
Não existe idade mínima recomendada para a utilização de pílulas, embora alguns estudos contraindiquem seu uso na adolescência por aumentar o risco de câncer de mama no futuro. Mas isso não está absolutamente comprovado. E a necessidade de evitar uma gravidez indesejada costuma compensar os riscos.
A pílula é a mais apropriada, mas o médico deve definir qual, dentre as disponíveis no mercado, é mais indicada para o perfil clínico.
Além da contracepção, a pílula melhora a pele e reduz as cólicas, o sangramento e os sintomas de TPM. "Nessa fase é indicado que a pílula seja acompanhada por um método de barreira, ou seja, a camisinha. Isso melhora a eficácia da contracepção e protege da contaminação por DSTs, como sífilis, gonorreia, HIV e HPV", diz o ginecologista e obstetra Afonso Nazário, chefe do departamento de Ginecologia da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp).

Para quem não tem parceiro fixo
"Uma boa escolha é associar mais de um método de barreira, como o diafragma e a camisinha", diz Nazário. Com o diafragma não há uso de hormônios que, para algumas mulheres, provocam efeitos colaterais como inchaço e dores de cabeça.
A camisinha concede proteção contra as DSTs. E os dois métodos associados, se usados corretamente, garantem uma eficácia de 100% contra a gravidez.


Quem está no início de carreira e quer evitar filhos de qualquer forma
"Tanto anticoncepcionais hormonais (pílula e suas variações) quanto o DIU são altamente eficazes e seguros", garante Nazário. No caso de quem tem parceiro fixo, não portador de DSTs, o uso de camisinha pode ser dispensado.
A pílula masculina
O anticoncepcional masculino já foi aprovado, mas ainda são necessários mais testes antes que ele chegue ao mercado. Um dos efeitos colaterais que precisa ser superado é a diminuição do desejo sexual e a variação do humor. Seu princípio de funcionamento é bloquear a maioria dos espermatozoides.
Enquanto a pílula masculina não chega, há sempre novidades para as mulheres. Recentemente foi lançada pela Bayer Schering uma versão que combina estrogênio natural e progesterona e é especialmente benéfica para as fumantes, que devem evitar o estrogênio sintético, e para mulheres muito sensíveis, que apresentam fortes efeitos colaterais.
Quem quer ter filho logo
Pode ser qualquer um deles, até mesmo a pílula. "Existe um mito de que o uso da pílula por longos períodos compromete a fertilidade da mulher, mas isso não é verdade. Assim que a mulher para com a pílula volta a ter ciclos ovulatórios e pode engravidar", diz Marcello Valle, ginecologista especializado em reprodução humana, da Clínica Origem (RJ). O que dificulta a gravidez é o avançar da idade.
Se a mulher tomar pílula por 15 anos - digamos, dos 20 aos 35 - poderá não engravidar porque sua taxa de fecundidade diminuiu, não por causa da pílula. Mesmo com tudo ok com a fertilidade, é aconselhável que a mulher evite engravidar por três meses depois da suspensão da pílula. "Embora exista a possibilidade de gravidez imediata, pode haver um pequeno risco de abortamento porque o endométrio (mucosa interna do útero) pode ainda não ter voltado ao normal para receber o óvulo fecundado", diz Nazário.
Quem já teve filho e não quer engravidar novamente
"Existem pílulas específicas para serem usadas durante a amamentação, com dosagem menor, e que não fazem mal ao bebê", diz Valle. Enquanto amamenta, a chance de a mulher engravidar é pequena, mas não pode ser desprezada. "Depois de passada essa fase, a mulher pode retomar o método que usava antes da gravidez", completa Valle. Mas com um ou mais filhos pequenos, e tantas tarefas na cabeça, a mulher muitas vezes pode se esquecer de tomar a pílula. "Por isso, muitas vezes costumo indicar o DIU, implantes ou métodos injetáveis", diz Nazário.
Mulheres no climatério
"As pílulas de baixa dosagem são uma boa opção para mulheres que já apresentam sintomas do climatério, mas ainda menstruam e, portanto, têm chance de engravidar. Após a menopausa - ou seja, a parada total da menstruação - não há mais necessidade do uso de anticoncepcional", diz Valle. "Mas nessa fase é especialmente importante que as fumantes evitem os anticoncepcionais com estrógeno sintético", lembra Nazário. A associação desse hormônio com cigarro aumenta a chance de trombose e pode ser especialmente nociva no climatério, quando o organismo começa a perder a proteção dos hormônios femininos.
Fotos: Fabio Mangabeira (Escala Imagens) / Shutterstock
www.uol.com.br

domingo, 29 de novembro de 2009

Pílula do dia seguinte tem ação preventiva, e não abortiva As chances de impedir a gravidez são maiores se ela for tomada até 24 horas após a relação

As chances de uma gravidez indesejada praticamente foram a zero com a pílula do dia seguinte. Atualmente, existem dois tipos de cartela: uma de dosagem maior, com apenas um comprimido de 1,5mg de levonorgestrel. Ou na versão com dois comprimidos, cada um com 0,75mg de levonorgestrel. Mas este é um recurso que vale para casos de emergência , alerta a ginecologista Mirna Ugarte, do Hospital Juscelino Kubitschek, em Brasília. A dosagem de hormônios presente na pílula do dia seguinte é muito maior do que a contida na pílula tradicional .E isso traz alguns problemas. O primeiro deles é uma desregulada geral no seu ciclo, o que interfere no cálculo do próximo período fértil e, em conseqüência, no início da sua próxima cartela de anticoncepcional. Há ainda outros efeitos negativos de curto prazo, como náuseas, vômito e dor de cabeça.

Algumas mulheres, inclusive, sentem-se tão mal que precisam de um remédio anti-enjôos combinado à pílula. Se houver vômito até duas horas depois de tomar a pílula, a dose deve ser repetida , alerta a ginecologista.

Quanto à ação do medicamento, ela vai variar de acordo com a fase do ciclo menstrual em que ele for consumido. O levonorgrstrel pode inibir ou retardar a ovulação; dificultar a passagem do óvulo ou do espermatozóide; provocar alterações no endométrio, bloqueando a implantação do óvulo , afirma a médica.

Por isso é importante ingerir a pílula no máximo 24 horas após a relação sexual com risco de gravidez. Caso o ovo já tenha sido implantado, o remédio não surte efeito algum , explica Mirna Ugarte. É isso mesmo o que você pensou: a pílula do dia seguinte, como a tradicional, tem ação preventiva. E não abortiva, como muita gente pensa.

Isso sem esquecer a média de eficiência do anticoncepcional de cartela, muito maior: o risco de falha não passa de 0,1%, contra 5% da pílula do dia seguinte índice que vale apenas para a ingestão feita, no máximo, 24 horas após a relação.

Se você já tomava anticoncepcional e esqueceu o comprimido, volte a tomá-lo normalmente assim que lembrar. A pílula do dia seguinte não interfere na ação da tradicional. Mas, na dúvida, agende uma visita ao ginecologista. Seu médico certamente saberá dizer se vale a pena continuar a cartela ou esperar a menstruação para recomeçar , diz a especialista de Brasília.

Vale lembrar que a pílula do dia seguinte só vale como alternativa excepcional. Isso porque, fora os desconfortos trazidos pelos efeitos colaterais, ela não protege você contra as doenças sexualmente transmissíveis. Tenha sempre em mãos um bom preservativo e não ponha a sua saúde, nem a do seu parceiro, em risco.
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