terça-feira, 2 de março de 2010

NIGS-UFSC lança II Concurso de Cartazes e Redações sobre Lesbofobia, Transfobia e Homofobia nas escolas

Lançado no último dia 1º o edital do "II Concurso de Cartazes sobre Lesbofobia, Transfobia e Homofobia nas Escolas". O evento é promovido pelo Núcleo de Identidades de Gênero e Subjetividades (NIGS) do Laboratório de Antropologia Social da UFSC e apoiado pelo Núcleo de Educação e Prevenção (NEPRE)/Regional Grande Florianópolis da Secretaria Estadual de Educação. O concurso tem como objetivo discutir as violências contra lésbicas, gays, bissexuais, travestis, transexuais e transgêneros (LGBTT) nas escolas da Grande Florianópolis e está inserido nas atividades do Dia Municipal contra a Homofobia, Lesbofobia e Transfobia -17 de maio, data instituída por lei no município de Florianópolis.

As inscrições para o II Concurso de Cartazes estão abertas até 10 de maio de 2010 e são gratuitas. Há duas categorias de participação. Uma, de cartazes, para estudantes de escolas públicas do ensino médio e fundamental de Santa Catarina e outra, criada nesta 2ª edição do prêmio, de redações, para estudantes de graduação em Pedagogia e/ou de cursos de licenciatura de várias disciplinas e de todas as universidades do estado. Para a primeira, estudantes de ensino médio e fundamental devem formar grupos, coordenados por uma professora, e confeccionar um cartaz que aborde temas relacionados às violências contra LGBTTT. Para a segunda, estudantes de graduação devem enviar uma redação sobre a mesma temática. Estudantes vencedores nas duas modalidades serão premiados com livros sobre gênero e sexualidade. Os prêmios coletivos relativos aos cartazes serão doados às bibliotecas de suas escolas.

O I Concurso de Cartazes aconteceu em maio de 2009 com a participação de 97 alunas de quatro escolas de Florianópolis. O evento faz parte do projeto de extensão Papo Sério (oficinas de gênero e sexualidade), apoiado pela Pró-reitoria de Pesquisa e Extensão da UFSC.

O edital do Concurso e mais informações podem ser obtidas no site http://www.nigs.ufsc.br e/ou http://sites.google.com/site/concursonigs
e as dúvidas esclarecidas através do e-mail nigsnuc@cfh.ufsc.br ou do telefone 3721 98 90 (Ramal 25) no horário comercial.
Fonte: www.ufsc.br

segunda-feira, 15 de fevereiro de 2010

Transexualismo é retirado de lista de doenças mentais na França

O transexualismo não é mais considerado uma doença mental na França, primeiro país no mundo que o retira da lista das patologias psiquiátricas, segundo um decreto publicado no "Diário Dficial" de quarta-feira (10).

Travestis ganham campanha antipreconceito e atendimento especial
Um terço dos gays assume sexualidade antes dos 15 anos, diz pesquisa em SP

O decreto, do Ministério da Saúde suprime a expressão "transtornos precoces de identidade de gênero" de um artigo do código da Previdência Social relativo a "patologias psiquiátricas de longa duração".

Tal classificação era realizada de acordo com a feita pela OMS (Organização Mundial de Saúde).

A ministra da Saúde, Roselyne Bachelot, já havia anunciado no dia 16 de maio de 2009, antes do Dia Mundial da Luta Contra a Homofobia, que o transexualismo não seria mais considerado doença psiquiátrica na França.

Na ocasião, muitas personalidades do mundo político e científico escreveram um artigo, divulgado na imprensa, para pedir à OMS que "não considerasse os transexuais como pessoas afetadas por transtornos mentais".

"A França é o primeiro país no mundo que já não considera o transexualismo como patologia mental", afirmou na sexta-feira (12) à AFP Joël Bedos, responsável francês no Comitê IDAHO (International Day Against Homophobia and Transphobia). "É histórico", acrescentou Philippe Castel, porta-voz da Associação de Gays, Lésbicas, Bissexuais e Transexuais. "Era algo muito importante e muito esperado desde a promessa" de Roselyne Bachelot, acrescentou.

Para explicar sua classificação, a OMS diz que o transexualismo figura na lista de patologias registradas no manual médico DSM (Diagnostic and Statistical Manual of Mental Disorders), feito por médicos americanos. A revisão do manual, em curso, não parece prever a retirada do transexualismo, segundo Joël Bedos.

Os transexuais franceses, apagados da lista que consideravam estigmatizante, continuarão com suporte da Previdência Social, disse Bachelot em setembro último.

O Comitê espera continuar seu combate para que a OMS retire também o transexualismo de sua lista.
fonte: Folha de São Paulo
da France Presse, em Paris

sábado, 6 de fevereiro de 2010

Brasil nacionaliza teste que detecta Aids em 15 minutos

A Fiocruz (Fundação Oswaldo Cruz) anunciou a conclusão do processo de nacionalização de um teste que permite detectar a presença do HIV em apenas 15 minutos.
Desenvolvida pelo laboratório norte-americano Chembio, a tecnologia começou a ser transferida para o Brasil em 2004 --a Fiocruz poderá, agora, fabricar o teste, que custará US$ 2,60 cada um. No preço, está incluído o pagamento de royalties para a Chembio. Anteriormente, o governo gastava US$ 5 por teste.
Segundo o gerente de desenvolvimento de reativos para diagnóstico da unidade de Bio-Manguinhos, Antonio Gomes Ferreira, os testes convencionais dependem do envio da amostra de sangue para um laboratório, o que dificulta o diagnóstico em locais remotos.
Com o teste agora nacionalizado, uma gota de sangue é suficiente para um diagnóstico 99% eficaz, revelado no local da coleta em um período de 10 a 15 minutos. No Brasil, o método já é difundido em maternidades, para evitar a transmissão de mãe para filho nos partos em que a gestante não foi submetida ao teste de HIV no pré-natal.
Agora, o Ministério da Saúde quer expandir seu uso também para os CTAs (Centros de Testagem e Aconselhamento em DST/Aids). Em 2009, serão encaminhados 3,3 milhões de kits dos testes às unidades de saúde.
Ferreira diz que a disseminação do produto ajudará no diagnóstico precoce da doença, o que aumenta a sobrevida. Para o presidente da Fiocruz, Paulo Buss, o domínio da tecnologia facilitará o desenvolvimento de testes rápidos para outras doenças, como a leishmaniose e a leptospirose.
Além disso, a instituição já está desenvolvendo, com a Chembio, um teste rápido para confirmação do diagnóstico do HIV --a comprovação é necessária nos casos da doença. Se tiver sua eficácia comprovada, será o primeiro teste confirmatório do mundo a dispensar infra-estrutura laboratorial.
A Fiocruz anunciou também novidades no desenvolvimento de anti-retrovirais, usados no tratamento. A instituição fornecerá o Efavirenz 600 mg, fruto do primeiro licenciamento compulsório do país, e entrará com o pedido de registro para uma pílula que combina três princípios ativos.
Além dessas formulações para uso adulto, a unidade de Farmanguinhos trabalhará no desenvolvimento de versões infantis dos dois remédios. A instituição já aguarda o registro do primeiro anti-retroviral para crianças do país.
Mais exames
O teste rápido já contribuiu para que mais pessoas se submetam ao exame do HIV, diz a diretora do Programa Nacional de DST e Aids, Mariângela Simão. Segundo ela, o aumento da oferta desse exame é uma das explicações para o resultado de um levantamento feito pelo Ministério da Saúde com dados de 2008, que mostra que cerca de 40% da população com idade entre 15 e 54 anos já fez o teste anti-HIV pelo menos uma vez. Em 2004, o índice era de 28%. Os dados foram apresentados ontem pelo ministro da Saúde, José Gomes Temporão, no Dia Mundial de Luta contra a Aids, em Brasília.
Estima-se que cerca de 255 mil pessoas no país estejam infectadas pelo HIV e ainda não tenham se testado. "O que preocupa é que a testagem está muito concentrada ainda nas grávidas. É preciso expandi-la", disse Simão.
DENISE MENCHEN
da Folha de S.Paulo, no Rio
LARISSA GUIMARÃES
da Folha de S.Paulo, em Brasília

domingo, 17 de janeiro de 2010

AIDS : Faça o teste!

O diagnóstico da infecção pelo HIV é feito por meio de testes, realizados a partir da coleta de sangue. No Brasil, temos os exames laboratoriais e os testes rápidos, que detectam os anticorpos contra o HIV em até 30 minutos a partir de uma gota de sangue da ponta do dedo.

Esses testes são realizados pelo Sistema Único de Saúde (SUS) gratuitamente. Nos Centros de Testagem e Aconselhamento (CTA), unidades da rede pública, os exames podem ser feitos inclusive de forma anônima. Saber do contágio pelo HIV precocemente aumenta a expectativa de vida do soropositivo. Quem busca tratamento especializado e segue as recomendações do médico ganha em qualidade de vida. Além disso, as mães soropositivas que forem orientadas corretamente e seguirem o tratamento recomendado durante o pré-natal, parto e pós-parto reduzem as chances de terem filhos HIV positivos. Por isso, se você passou por uma situação de risco, como ter feito sexo desprotegido, faça o exame!
http://www.todoscontraopreconceito.com.br

segunda-feira, 28 de dezembro de 2009

Condiloma Acuminado ou HPV

O condiloma acuminado é uma lesão na região genital, causada pelo Papilomavirus Humano (HPV). A doença é também conhecida como crista de galo, figueira ou cavalo de crista.

Sinais e Sintomas
O HPV provoca verrugas, com aspecto de couve-flor e de tamanhos variáveis, nos órgãos genitais. Pode ainda estar relacionado ao aparecimento de alguns tipos de câncer, principalmente no colo do útero, mas também no pênis ou no ânus. Porém, nem todo caso de infecção pelo HPV irá causar câncer.

Formas de contágio
A infecção pelo HPV é muito comum. Esse vírus é transmitido pelo contato direto com a pele contaminada, mesmo quando essa não apresenta lesões visíveis. A transmissão também pode ocorrer durante o sexo oral. Há, ainda, a possibilidade de contaminação por meio de objetos como toalhas, roupas íntimas, vasos sanitários ou banheiras.

Prevenção
Não existe forma de prevenção 100% segura, já que o HPV pode ser transmitido até mesmo por meio de uma toalha ou outro objeto. Calcula-se que o uso da camisinha consiga barrar entre 70% e 80% das transmissões, e sua efetividade não é maior porque o vírus pode estar alojado em outro local, não necessariamente no pênis, mas também na pele da região pubiana, períneo e ânus. A novidade é a chegada, ainda em 2006, da primeira vacina capaz de prevenir a infecção pelos dois tipos mais comuns de HPV, o 6 e o 11, responsáveis por 90% das verrugas, e também dos dois tipos mais perigosos, o 16 e o 18, responsáveis por 70% dos casos de câncer de colo do útero. Ainda em discussão os valores para dose (3 doses), para o mercado privado brasileiro.

Na maioria das vezes os homens não manifestam a doença. Ainda assim, são transmissores do vírus. Quanto às mulheres, é importante que elas façam o exame de prevenção do câncer do colo, conhecido como "papanicolau" ou preventivo, regularmente.

Tratamento
O tratamento do HPV pode ser feito por meio de diversos métodos: químicos, quimioterápicos, imunoterápicos e cirúrgicos. A maioria deles destruirá o tecido doente.
http://www.aids.gov.br
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segunda-feira, 21 de dezembro de 2009

30,5% dos brasileiros entre 13 e 15 anos já tiveram relação sexual, mostra IBGE

Pesquisa divulgada nesta sexta-feira pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) mostra que 30,5% dos alunos do nono ano do ensino fundamental --jovens com idades entre 13 e 15 anos-- já tiveram relação sexual. Entre os entrevistados, 24% deles disseram não ter usado preservativos na última relação. De acordo com a pesquisa, os garotos são maioria (43,7%) entre os estudantes que disseram já ter mantido relações sexuais.
O IBGE informou que nas escolas públicas foram constatados mais estudantes que já iniciaram a vida sexual (33,1%), quando comparados aos das escolas privadas (20,8%).
A pesquisa consultou 60.973 alunos do 9º ano do ensino fundamental em 1.453 escolas públicas e privadas de todas as capitais e do Distrito Federal. A idade média dos estudantes variou entre 13 e 15 anos --10% tinham mais de 16 anos. Quase 80% dos alunos estudavam em escolas públicas e o restante em particulares. O IBGE estima que 618 mil jovens cursam a 9ª série em todo o Brasil.
Pesquisa
A Pesquisa Nacional da Saúde do Escolar reúne informações sobre as condições de vida do estudante. É a primeira pesquisa da história do IBGE em que os próprios entrevistados responderam ao questionário nos computadores de mão --geralmente eles respondem as perguntas feitas pelos entrevistadores, que anotam os dados. Segundo o IBGE, isso deu mais privacidade aos estudantes para responderem questões sobre violência, uso de álcool e drogas e comportamento sexual.
(Folha de São Paulo)

quarta-feira, 16 de dezembro de 2009

A primeira vez

 Foto: Raul Santana
Quem já não imaginou como seria sua primeira relação sexual? Com certeza quase todo mundo. Diversos estudos vêem procurando analisar esse momento marcante na vida de homens e mulheres. Uma pesquisa* realizada na cidade de São Paulo em 2002, revelou que para a maioria dos jovens entrevistados a iniciação sexual ocorreu de forma inesperada (72,7%) e dentro de casa (86,1%).

Esse “fator supresa” pode acabar sendo um complicador, principalmente para os meninos. Afinal, a chance de a relação sexual acontecer de forma rápida, de qualquer maneira, com quem não se tem uma convivência, é muito mais provável para o menino do que para a menina. Na opinião de Sonia Mano, coautora do multimídia Amor e Sexo do Museu da Vida (COC/Fiocruz), o problema do imprevisto e do descontrole é esquecer-se da prevenção.
“Nesta hora, ninguém quer pensar na possibilidade de uma gravidez ou em doenças. É difícil ter a convicção da necessidade de colocar a camisinha ou mesmo de interromper a relação sexual se não tem o preservativo. Quando a pessoa para um instante para pensar, pode muitas vezes, mudar de idéia”, afirma.
A exposição dos adolescentes a doenças sexualmente transmissíveis (DST’s e Aids) é o principal problema das situações inesperadas. A coordenadora de projetos da Ecos Comunicação em Sexualidade, Thais Gava, diz que nos encontros realizados com os jovens é comum eles relataram que não usaram a camisinha porque não esperavam que fossem ter uma relação sexual. “Outra fala comum é a de que confiavam no(a) parceiro(a). Os jovens não têm na sociedade muitos espaços de diálogos sobre a sexualidade e não são estimulados a experimentar e treinar antes de começar sua vida sexual”, adverte.
Além do sexo
Com sede em São Paulo, a Ecos é uma organização que atua na defesa dos direitos sexuais e reprodutivos, em especial de adolescentes e jovens, na perspectiva de erradicar as discriminações relativas a gênero, orientação sexual, idade, raça/etnia, existência de deficiências e classe social. Conforme explica Thais Gava, um dos trabalhos realizados pela ONG é ampliar a percepção do jovem sobre a sexualidade, mostrando que ela não se restringe apenas ao ato sexual da penetração, mas envolve também o beijo, as carícias, a relação afetiva como um todo. “É importante chamar atenção de que os adolescentes podem experimentar sua sexualidade respeitando seu próprio limite e do(a) outro(a)”, afirma.
Outro dado apontado na pesquisa foi uma diferença significativa no comportamento de meninos e meninas no que diz respeito ao tipo de relacionamento com o(a) parceiro(a). Enquanto para a maioria feminina, o início da vida sexual aconteceu durante o namoro ou noivado (86,2%), os meninos apontaram as amigas (47,7%), pessoas recém-conhecidas (15,1%), trabalhadoras do sexo (1,2%) e “ficantes” (3,4%) como suas primeiras parceiras. A iniciação sexual com um(a) namorado(a) ocorreu com apenas 32,6% dos homens.
Para a realização do estudo, foram entrevistados 406 jovens, sendo 222 (54,7%) do sexo feminino e 184 (45,3%) do sexo masculino, na faixa etária entre 15 e 19 anos. Observou-se que quase a metade dos adolescentes de ambos os sexos já havia iniciado sua vida sexual, em média aos 15 anos de idade.
Má educação sexual
A falta de informação de qualidade sobre as questões que envolvem o início da vida sexual é, para Sonia Mano, um dos maiores desafios a ser enfrentado por pais e educadores. Segundo ela, a televisão e as revistas – além dos amigos, igualmente mal informados – acabam sendo as principais referências dos jovens sobre o assunto. Como resultado disso, várias são as dúvidas apresentadas por eles.
“Uma consequência, por exemplo, é que muitas vezes as meninas ficam dependentes dos parceiros para orientá-las. Por dificuldade de acesso a um posto de saúde ou mesmo vergonha, confiam apenas no que eles dizem. E sem prevenção, se expõem a doenças e a gravidez”.
(Patricia Moreira)

http://www.fiocruz.br/jovem/cgi/cgilua.exe/sys/start.htm?sid=4   (Fiojovem)

 

*Pesquisa Início da vida sexual na adolescência e relações de gênero: um estudo transversal em São Paulo, Ana Luiza Vilela Borges e Néia Schor.
Para saber mais:
Camisinha: treine antes!
Ecos Comunicação em Sexualidade 

sábado, 12 de dezembro de 2009

Beijo na boca não transmite o vírus da AIDS

As reações contrárias ao beijo da campanha do Dia Mundial de Luta contra a Aids 2009, mesmo que isoladas, indicam que ainda há um grande caminho para se percorrer sobre o tema do preconceito e da discriminação contra as pessoas soropositivas. Informações incorretas como a de que o beijo transmite o HIV só colaboram para aumentar o estigma que cerca a doença e para negar a essas pessoas o convívio social pleno.
Ao contrário do que alguns veículos de comunicação noticiaram desde o lançamento da campanha, beijo na boca não transmite o vírus da aids. Líquidos corporais, tais como suor, lágrima e saliva concentram apenas anticorpos contra o HIV e partículas virais não infectantes (fragmentos de proteínas virais).
As formas de transmissão do HIV, cientificamente comprovadas até o momento, são por meio do contato direto com fluidos genitais masculinos e femininos (sexo vaginal, anal ou oral desprotegidos), pelo sangue (transfusão de sangue não testado e pelo compartilhamento de seringas e agulhas contaminadas) e pelo aleitamento materno quando a mãe vive com o HIV.
Não existe nenhum caso descrito na literatura científica em todo o mundo que comprovadamente tenha demonstrado que o beijo transmitiu o HIV.
Nesse sentido, as campanhas e ações de prevenção da transmissão do vírus devem ser direcionadas para as reais exposições de risco. Qualquer mensagem que reforce o preconceito contra soropositivos deve ser desmistificada.
Foi com base nessas evidências científicas que o Ministério da Saúde optou por usar o beijo como símbolo da aceitação, do acolhimento e da proximidade, perfeitamente possíveis entre casais sorodiscordantes – quando só um dos parceiros é soropositivo.
http://www.todoscontraopreconceito.com.br

domingo, 29 de novembro de 2009

Pílula do dia seguinte tem ação preventiva, e não abortiva As chances de impedir a gravidez são maiores se ela for tomada até 24 horas após a relação

As chances de uma gravidez indesejada praticamente foram a zero com a pílula do dia seguinte. Atualmente, existem dois tipos de cartela: uma de dosagem maior, com apenas um comprimido de 1,5mg de levonorgestrel. Ou na versão com dois comprimidos, cada um com 0,75mg de levonorgestrel. Mas este é um recurso que vale para casos de emergência , alerta a ginecologista Mirna Ugarte, do Hospital Juscelino Kubitschek, em Brasília. A dosagem de hormônios presente na pílula do dia seguinte é muito maior do que a contida na pílula tradicional .E isso traz alguns problemas. O primeiro deles é uma desregulada geral no seu ciclo, o que interfere no cálculo do próximo período fértil e, em conseqüência, no início da sua próxima cartela de anticoncepcional. Há ainda outros efeitos negativos de curto prazo, como náuseas, vômito e dor de cabeça.

Algumas mulheres, inclusive, sentem-se tão mal que precisam de um remédio anti-enjôos combinado à pílula. Se houver vômito até duas horas depois de tomar a pílula, a dose deve ser repetida , alerta a ginecologista.

Quanto à ação do medicamento, ela vai variar de acordo com a fase do ciclo menstrual em que ele for consumido. O levonorgrstrel pode inibir ou retardar a ovulação; dificultar a passagem do óvulo ou do espermatozóide; provocar alterações no endométrio, bloqueando a implantação do óvulo , afirma a médica.

Por isso é importante ingerir a pílula no máximo 24 horas após a relação sexual com risco de gravidez. Caso o ovo já tenha sido implantado, o remédio não surte efeito algum , explica Mirna Ugarte. É isso mesmo o que você pensou: a pílula do dia seguinte, como a tradicional, tem ação preventiva. E não abortiva, como muita gente pensa.

Isso sem esquecer a média de eficiência do anticoncepcional de cartela, muito maior: o risco de falha não passa de 0,1%, contra 5% da pílula do dia seguinte índice que vale apenas para a ingestão feita, no máximo, 24 horas após a relação.

Se você já tomava anticoncepcional e esqueceu o comprimido, volte a tomá-lo normalmente assim que lembrar. A pílula do dia seguinte não interfere na ação da tradicional. Mas, na dúvida, agende uma visita ao ginecologista. Seu médico certamente saberá dizer se vale a pena continuar a cartela ou esperar a menstruação para recomeçar , diz a especialista de Brasília.

Vale lembrar que a pílula do dia seguinte só vale como alternativa excepcional. Isso porque, fora os desconfortos trazidos pelos efeitos colaterais, ela não protege você contra as doenças sexualmente transmissíveis. Tenha sempre em mãos um bom preservativo e não ponha a sua saúde, nem a do seu parceiro, em risco.
http://minhavida.uol.com.br

sexta-feira, 27 de novembro de 2009

Educação Sexual na Escola


Promover a formação de valores e atitudes comportamentais das crianças e adolescentes e desenvolver conhecimento que permita escolhas informadas e seguras no campo da sexualidade são objetivos do Projeto Educação Sexual na Escola.

terça-feira, 24 de novembro de 2009

Oficina de Educação Sexual


O Projeto de Educação Sexual na Escola foi desenvolvido na Sala Multiuso da Biblioteca Central do Instituto Estadual de Educação e os professores e estudantes foram convidados a participarem dos encontros, com autorização dos pais. O objetivo geral do Projeto foi desenvolver nos alunos a consciência do próprio corpo e da sexualidade humana como processo biológico, social e cultural, utilizando recursos midiáticos e tecnologicos disponíveis na escola, tais como: computador, CD, DVD, Blog, material impresso e rádio IEE.

DST/AIDS - Uso da Camisinha


 Na foto: Profa. Cássia, pedagoga e psicóloga do IEE, especialista em educação sexual, e  aluno do ensino fundamental, durante oficina de Educação Sexual.
Alunos da 3a. série do Ensino Fundamental aprendem a colocar e a retirar a camisinha corretamente, durante oficina do Projeto Educação Sexual na Escola.  Diante de inúmeros problemas de saúde pública que poderiam ser contornados com projetos de prevenção e orientação sexual adequados no contexto escolar-familiar fica evidente a necessidade da educação sexual na escola,  desde a infância.
Um estudo realizado recentemente na Universidade de Wisconsin (EUA), demonstrou que o uso correto e sistemático de preservativos em todas as relações sexuais apresenta uma eficácia estimada em 90-95% na prevenção da transmissão do HIV.









segunda-feira, 23 de novembro de 2009

Projeto de Educação Sexual na Escola


Na foto: alunos da 3a. série do EDA/IEE e as professoras Marli, Rainildes e Cássia.
Projeto de educação sexual na escola, desenvolvido com  as turmas 32 e 37, 3ª série do ensino fundamental da Escola de Educação Infantil do Instituto Estadual de Educação - Florianópolis -SC (EDA-IEE),  em outubro e novembro de 2009. O projeto foi realizado na sala multiuso da biblioteca central do IEE. Os alunos depositaram na caixinha de dúvidas os seus questionamentos. Cada turma de alunos participou de dois encontros e foi um sucesso. Os alunos fizeram questionamentos de forma anônima e perguntaram muito ao vivo também. As crianças realmente sentem necessidade e curiosidade em relação à sexualidade. Conheceram os métodos anticocepcionais e interagiram o tempo todo. Os temas mais questionados foram:
O que é vulva, menstruação, crescimento dos peitos ( masculino e feminino), pedofilia e namoro.

quinta-feira, 19 de novembro de 2009

Uniban expulsa aluna que foi à aula com vestido curto

Folha de São Paulo, Cotidiano, domingo, 08 de novembro de 2009
Para a universidade, houve "desrespeito à dignidade acadêmica e à moralidade"

Geisy Arruda, hostilizada por cerca de 700 alunos e que deixou o campus sob escolta da PM, afirma que vai processar a instituição

DA REPORTAGEM LOCAL

A estudante Geisy Villa Nova Arruda, 20, hostilizada por cerca de 700 colegas ao usar um vestido curto no campus da Uniban em São Bernardo do Campo, onde cursa turismo, foi expulsa ontem pela universidade por "desrespeito à dignidade acadêmica e à moralidade".

Um grupo de seis a oito estudantes (a Uniban não soube dizer ontem o número exato) que participou da manifestação contra ela, no dia 22 de outubro, foi punido com suspensão, por tempo a ser definido.

A Uniban tomou as decisões após uma sindicância concluir que a estudante "provocou" os colegas, "o que resultou numa reação coletiva de defesa do ambiente escolar". Segundo Décio Lencioni Machado, assistente jurídico da instituição, Geisy "tem uma postura incompatível com o ambiente da universidade", pois sempre utiliza roupas curtas e decotes e tinha atitudes "insinuantes".

A estudante afirmou que pretende processar a Uniban. "Como me expulsaram? Que absurdo. Eu fui a vítima, quase fui estuprada, como puderam fazer isso?", disse. A mensalidade do curso, de R$ 310, é paga pelo pai dela, que é supervisor de serviços -Geisy não trabalha.

Segundo Machado, o que levou à decisão não foi o vestido, mas a "postura" dela. "O problema não era a roupa, mas a forma de se portar, de falar, de rebolar." Por isso, diz, ela já havia sido advertida verbalmente por fiscais de disciplina da universidade e pelo coordenador do curso de turismo -ela nega.

No dia do tumulto, de acordo com ele, quando a aluna saiu escoltada pela Polícia Militar do campus, a universitária "subiu com as mãos o vestido que usava, deixando-o mais curto". Além disso, diz, ela entrou na sala de outro curso, quando o professor já dava aulas, porque um estudante queria conhecê-la. "Segurava uma bolsa enorme em uma mão e um fichário na outra, como levantaria o vestido?", questiona Geisy.

Anúncio

A Uniban publica comunicado hoje na Folha sobre a expulsão. A universidade diz que decidiu tornar público o fato porque Geisy também utilizou veículos de comunicação para contar sua versão dos fatos.

A defesa da estudante não quis comentar por não ter sido notificada. Segundo a universidade, após a decisão, ainda de madrugada, um motoboy tentou entregar uma carta a Geisy informando a expulsão, mas ninguém atendeu na casa dela.

Geisy afirma que só às 16h um motoboy foi a sua casa, mas ela se recusou a receber o documento e pediu que ele fosse entregue a seus advogados. Ela afirmou que, caso eles não recebam a notificação, voltará às aulas na segunda-feira.

Especialistas ouvidos pela Folha criticaram a medida. A mãe da estudante, que pediu para ser identificada apenas por Maria, considerou a decisão absurda. "É o jeito dela de se vestir, desde pequena foi assim. Ela não é a única", disse. (TALITA BEDINELLI, ALENCAR IZIDORO, LUISA ALCANTARA E SILVA, ESTÊVÃO BERTONI E CATHARINA NAKASHIMA)

ANÁLISE

Culpar a vítima: essa foi a estratégia

HÉLIO SCHWARTSMAN, DA EQUIPE DE ARTICULISTAS

Culpe a vítima. Essa foi a estratégia utilizada pela Uniban para, vá lá, "reduzir os danos" provocados pelo "affaire" Geisy. Acho que não chamaram ninguém do Departamento de Marketing para a reunião que definiu a expulsão. Nem da Pedagogia, nem o professor de Ética (se é que têm um).

Chamaram apenas alguém do Jurídico, o qual concluiu que a agora ex-aluna violou o artigo 215 e seguintes do Regimento Interno da universidade, ao usar "trajes inadequados" e fazer "percursos maiores que o habitual".

Não é preciso pós-graduação em astrologia para perceber que o impacto da decisão não é dos mais auspiciosos para a universidade.

Conseguiram transformar o que já era um pesadelo de relações públicas naquilo que o pessoal das Letras Clássicas chamaria de "defaecatio maxima" -e que o pudor que faltou aos dirigentes da instituição me impede de traduzir.

A provável ação indenizatória que Geisy moverá contra a escola acaba de ter seu valor majorado. A Uniban também deve ter perdido potenciais candidatos a estudante. Eu, pelo menos, pensaria várias vezes antes de matricular meus filhos numa faculdade que busca proteger um bando de arruaceiros atacando o elo mais fraco.

A estratégia de culpar a vítima é bem conhecida. Se uma garota foi estuprada, ela é pelo menos parcialmente responsável por seu destino: de alguma forma, provocou o estuprador, seja por utilizar roupas insinuantes, seja por meio de atitudes libidinosas. Afinal, nada acontece "de graça".

A psicologia explica tal atitude como um autoengano que visa a nos manter em posição de controle: se eu não me comportar "mal" como a "vítima", não estou sujeito ao mesmo risco. Tal operação mental nos permite persistir na crença de que o mundo é um lugar justo. Não é, como a Uniban acaba de demonstrar exemplarmente.

Expulsão atesta incompetência, diz entidade

Para coordenadora de comitê de defesa da mulher, universidade, que deveria promover discussões, teve atitude autoritária

Educadores, advogados e outras entidades ouvidas pela Folha também fazem críticas à decisão da Uniban; ONG diz que fará protesto

DA REPORTAGEM LOCAL

"Ao expulsar essa menina, a universidade assina seu atestado de incompetência", afirma Samantha Buglione, coordenadora do Cladem (Comitê Latino-Americano e do Caribe para a Defesa dos Direitos da Mulher) no Brasil. "O espaço que deveria promover a discussão está tendo atitudes simplificadas e autoritárias", diz ela. "Para a universidade ser intolerante em questões de moralidade neste nível é porque ela está completamente desvirtuada do que deveria ser", afirmou.

As opiniões de Buglione refletem um pouco a contrariedade de boa parte dos educadores, advogados e entidades de defesa das mulheres ouvidos pela Folha sobre a punição da Uniban à jovem que foi hostilizada ao usar um vestido curto.

Para Buglione, a função da Uniban era promover um debate, e não mandar a estudante embora. "Esse caso é uma excelente metáfora para mostrar como a universidade não está mais sendo universidade", afirma ela, que também é professora de direito da Univali (Universidade do Vale do Itajaí).

"Como é uma instituição que se propõe a fazer um trabalho educativo, a expulsão deveria ser a última medida", avalia Sabrina Moehlecke, doutora em educação pela USP e professora da UFRJ (Universidade Federal do Rio de Janeiro).

Ressalvando falar em tese, por não ter acompanhado detalhes do caso, ela acrescenta: "Mesmo que as pessoas venham com hábitos, formas de agir e de se vestir inadequados, a instituição tem a função de criar formas de lidar com isso".

O promotor de Justiça Roberto Livianu, do Movimento do Ministério Público Democrático, afirma que a decisão é um "exagero", "foge à razoabilidade" e lembra "posturas fundamentalistas islâmicas".

O professor de direito constitucional João Antonio Wiegerinck avalia que a expulsão só ocorreu devido à repercussão do tema na mídia, e não pelo comportamento da aluna. Ele afirma que a roupa da jovem era inadequada ao ambiente de estudo. "Faltou bom senso à estudante. Mas dou aula há mais de oito anos. Há roupas piores."

Segundo Wiegerinck, é praxe nas instituições de ensino regulamentos para punir alunos por comportamentos do tipo. Mas ele ressalta a necessidade de uma gradação para os casos de reincidência -como advertência e suspensão, sempre por atos formais, e não verbais.

Ato público

Para Sônia Coelho, militante da SOF (Sempreviva Organização Feminista), a expulsão da estudante é um retrocesso e mostra a falta de compromisso da instituição com a educação.

"É preciso trabalhar prevenindo a violência. O contrário do que a universidade está fazendo. A aluna deveria ser acolhida, e os alunos, educados."

A SOF afirma ter buscado contato com a universidade para propor um ciclo de debates sobre a violência contra a mulher. Sem sucesso, decidiu fazer um ato público no dia 18 na frente da Uniban -que, com a expulsão, pode ser antecipado.

A decisão da universidade, ao ver a reação contra a jovem como defesa do ambiente escolar, diz Sônia Coelho, põe em risco todas as mulheres. "Qualquer uma que se vista com um short ou vestido pode ser abordada de forma pior. Daqui a pouco as mulheres serão apedrejadas."

A fundadora da União de Mulheres de São Paulo, Maria Amélia de Almeida Teles, diz que a atitude da Uniban mostra que ainda existe discriminação e reforça a existência do preconceito: "É difícil acreditar que em pleno século 21 a mulher não tenha direito a dispor de seu próprio corpo e a se vestir da maneira que desejar".

Jeito de estudante se portar levou à expulsão, diz Uniban

DA REPORTAGEM LOCAL

O assessor jurídico da Uniban, Décio Lencioni Machado, afirma que a falta de uma postura ética de Geisy Arruda causou sua expulsão. Leia a seguir os principais trechos da entrevista concedida por ele à Folha.

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FOLHA - Por que a decisão?

DÉCIO LENCIONI MACHADO - Por meio dos depoimentos dos alunos, professores, funcionários e mesmo dela, constatou-se que a postura dela não era adequada há algum tempo. O foco não é o vestido. Tem menina que usa roupas até mais curtas. O foco é a postura, os gestos, o jeito de ela se portar. Ela tinha atitudes insinuantes.

FOLHA - Como assim?

MACHADO - Ela extrapolava, rebolando na rampa, usando roupas que os colegas pudessem verificar suas partes íntimas. Isso tudo foi dito em vários depoimentos e culminou no que ocorreu no dia 22 de outubro. Foi o estopim de uma postura recorrente da aluna.

FOLHA - Por que o anúncio? Não acham que estão expondo a aluna?

MACHADO - A exposição dela vem ocorrendo desde a semana seguinte a 22 de outubro. Ela se utilizou de todos os veículos de comunicação para divulgar [o que aconteceu] e vem declarando que, inclusive, tem interesse em ser atriz. Estamos querendo usar os mesmos veículos, não para expô-la, porque exposta ela já está, mas porque tenho compromisso com 60 mil alunos. Recebemos 4.000 e-mails de alunos, pais, pessoas da comunidade, se queixando da exposição da instituição, em especial do curso de turismo, porque as meninas estavam sendo chamadas de "putas".

quarta-feira, 18 de novembro de 2009

Isso é coisa de homem

“O que é ser homem?” A pergunta tem sido ponto de partida do trabalho feito com jovens de ambos os sexos pelo Programa H, criado há dez anos pelo Instituto Promundo (Rio de Janeiro), em parceria com o Ecos – Comunicação em sexualidade (São Paulo), o Instituto Papai (Recife) e a organização mexicana Salud y Gênero. Dela surgem respostas que mostram como os modelos tradicionais de masculinidade são referências fortes para ambos os sexos. Segundo a codiretora executiva do Instituto Promundo, Christine Ricardo, independentemente das características do grupo (idade, condição social, sexo, cultura, região etc), as expressões associadas à masculinidade se repetem: força, autoridade, proteção, ser provedor, gostar de mulher, responsabilidade, entre outras.
“O tema da violência chama bastante atenção nessas discussões. Ainda existe uma forte crença de que os atos agressivos cometidos pelos homens fazem parte da natureza masculina, ou seja, são de origem biológica, o que não é verdade. Isso resulta do processo de socialização, da forma como criamos meninos e meninas. Não por acaso a maioria dos agressores é homem e eles também são as maiores vítimas da violência”, afirma.
Oficinas educativas
Para incentivar os homens jovens a refletirem criticamente sobre esses rígidos padrões de masculinidade e promover a igualdade de direitos entre os sexos, o Programa H desenvolve atividades, como oficinas educativas, campanhas comunitárias e diversos materiais que complementam os debates, entre os quais, vídeos e cartilhas.
Uma das preocupações do projeto é avaliar os seus impactos. Entre 2004 e 2006 foi feita uma pesquisa com 780 jovens homens, de 14 a 25 anos, que tinham participado das oficinas. Por meio de questionários e entrevistas, verificou-se que importantes mudanças haviam ocorrido nas atitudes dos rapazes em relação às questões de gênero e violência, nas relações íntimas, nos espaços da casa e no uso da camisinha.
O depoimento de um desses jovens sobre os direitos sexuais de homens e mulheres é um bom exemplo da transformação que o projeto proporciona: “[Se] um cara sai com uma mulher hoje, com outra amanhã, ele é chamado de 'mulherengo' ou 'garanhão'. Com as meninas não é assim. Elas são criticadas se fizerem isso, são chamadas de 'galinhas' e outras coisas. Mas eu mudei de opinião [depois das oficinas]. Se estiver namorando uma menina que já teve outros parceiros sexuais antes de mim, vou entender”.
Mobilizando a comunidade
Segundo Christine Ricardo, a pesquisa também serviu para mostrar que o projeto precisava atuar com as famílias. “Não adianta estimularmos a participação do menino nas tarefas domésticas se a mãe, a irmã ou mesmo o pai não deixa que ele faça. Outro desdobramento importante foi a criação do Programa M, que promove o empoderamento [a consciência do poder de influência nas relações sociais] e a saúde das mulheres jovens de 15 e 24 anos . Para isso, estimula as reflexões críticas a respeito do seu processo de socialização”.
Acostumados a promoverem as oficinas educativas do Programa H, Andreza Jorge e Rogério da Silva Brunelli, coordenadores do Projeto Onda Jovem na comunidade da Maré, no Rio de Janeiro, contam que para a maioria dos participantes, discutir as questões de gênero é algo totalmente novo. “A partir da nossa conversa, eles começam a perceber várias situações. Mas o conceito da masculinidade ainda está muito estereotipado, embora a gente já note que isso vem mudando. Nessa nova geração que tem acesso a ambientes de discussão e até mesmo a internet, os jovens estão começando a questionar mais esses modelos”, afirma Andreza.
De acordo com Rogério, o discurso de que cuidar da casa e das crianças é uma função feminina, aparece com frequência nos debates, e quem assume tarefas domésticas costuma sofrer zombarias. “Às vezes, a própria família cria resistência quando ele quer colaborar em casa”.
Fiscais da masculinidade
A influência da sociedade, reforçando esse modelo padrão do que significa ‘ser homem’ é um dos maiores desafios a ser enfrentado. Na avaliação de Andreza e Rogério, se o trabalho de reflexão iniciado na oficina não tiver atividades que deem continuidade, o adolescente poderá ter dificuldades de colocar em prática essa nova percepção da masculinidade. Nesse sentido, uma das estratégias do projeto é a realização de campanhas comunitárias, que são criadas com os próprios jovens para estender os debates aos moradores daquela localidade. São desenvolvidos pôsteres, camisetas, histórias em quadrinho, rádio-novela, cartazes, entre outras peças.
“Costumo dizer que em todo lugar existem os fiscais da masculinidade. São aquelas pessoas que a todo o momento reforçam o padrão, com os comentários: ‘Está chorando? Não é homem, não?’; ‘Vai ficar escrevendo bilhetinho para a namorada? Que coisa boba!‘, ‘Está com medo? Ih, não é homem!’. E isso é na escola, no grupo de amigos e até na família”, destaca Andreza.
As principais consequências desse padrão de masculinidade são o aumento da violência: a falta de cuidado com a saúde, o que deixa o homem mais exposto a doenças, como DSTs e Aids; menos envolvimento paterno; a homofobia (discriminação e preconceito contra os homossexuais); as dificuldades de relacionamento com a parceira; e a violência doméstica.
"Ir contra o modelo tradicional e quebrar preconceitos, mostrando que o homem pode ser cuidadoso, carinhoso, sensível e ter outras características, em geral atribuídas ao universo feminino, são essenciais para a construção de uma sociedade mais justa, que promova a relação saudável entre homens e mulheres.", conclui Christine Ricardo.
(Patricia Moreira)
Publicada em: 14/05/2009
http://www.fiocruz.br/jovem/
Para saber mais:
Instituto Promundo:
http://www.promundo.org.br/
Instituto Papai:
http://www.papai.org.br/
Ecos – Comunicação em sexualidade:
http://www.ecos.org.br/index2.asp

quarta-feira, 11 de novembro de 2009

Prêmio Igualdade de Gênero

Agenda: Igualdade de gênero distribui prêmios para redações
Terça-feira, 10 de novembro de 2009 - 10:42
Estão abertas até 20 de novembro as inscrições para o 5º Prêmio Construindo a Igualdade de Gênero, concurso nacional de redações e artigos científicos sobre relações de gênero, mulheres e feminismos.

Escolas públicas e privadas poderão concorrer com projetos e ações pedagógicas inovadoras nas áreas de gênero, raça, etnia, sexualidade, geração e classe social. Para a nova categoria “Escola Promotora da Igualdade de Gênero” é aportado o valor total de R$ 50 mil. O concurso vai premiar uma escola por região. Especialistas, estudantes de mestrado, mestres e estudantes de doutorado receberão premiações em dinheiro e bolsas de estudo (doutorado, mestrado e iniciação científica). Na categoria estudante de ensino médio, é aportado o maior investimento: bolsas de estudo, computadores e impressoras, que somam cerca de R$ 70 mil. Mais informações podem ser obtidas na página oficial do concurso.

Prêmio para textos reflexivos sobre igualdade de gênero

Estudantes de ensino médio, graduação, mestrado e doutorado, além de graduados, especialistas e mestres, podem concorrer às diversas categorias do prêmio Construindo a Igualdade de Gênero. Concorrem redações e artigos científicos. As inscrições estão abertas até 20 de novembro. O objetivo do concurso é estimular a produção científica e a reflexão crítica sobre as desigualdades entre homens e mulheres no Brasil. Veja a íntegra do regulamento no endereço www.igualdadedegenero.cnpq.br.